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SCARS lança seu novo álbum de retorno; ouça “Predatory”

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No último mês de agosto, a banda paulista SCARS lançou, após um hiato de 10 anos, o seu mais novo álbum de retorno, intitulado Predatory. O álbum resgata as principais influências baseadas no tradicional Thrash Metal americano. Riffs marcantes e rasgados, vocais brutais, solos extremamente técnicos, uma cozinha de muito peso, tudo isso somado a temáticas fortes relacionadas a desenfreada matança de animais, violência, depressão, guerra, religião e tudo que destrói nosso mundo contemporâneo em todos os sentidos, mas sem ser classificado como álbum conceitual já que não existe ligação entre as faixas.

“Predatory” é o segundo álbum da banda SCARS, lançado no dia 7 de agosto de 2020 em parceria com a Proper Music (Europa) e Voice Music (Brasil). O álbum conta com 12 faixas, sendo duas delas faixas bônus, lançadas em formato digital. Com o novo álbum, a banda também lançou o videoclipe da faixa faixa “Sad Darkness Of The Soul”, dirigido por Ronaldo Del Vecchio (Na Lupa Produções) e editado por Ulisses Simionato (Santo Filme Produções).

O SCARS foi formado no ano de 1991, no bairro da Moóca, na zona leste da cidade de Sāo Paulo, tendo como proposta musical um Thrash Metal cheio de energia, pesado e, acima de tudo, trabalhado e executado. Tudo isso incorporando letras e temas de cunho religioso, político e social de forma bem desenvolvida e fundamentadas no nosso cotidiano. A formação atual conta com Régis F. no vocal, Alex Zeraib na guitarra base, Thiago Oliveira na guitarra solo, Marcelo Mitché no baixo e João Gobo na bateria.

A Rock Freeday conversou com João Gobo sobre o processo de gravação e distribuição do novo álbum, e a trajetória do SCARS. Confira a entrevista completa.

Por: Maria Olívia

RF: De onde surgiu a ideia do nome “Predatory”?

João: Durante a pré-produçāo do álbum, que foi realizada em grande parte no home-studio do Alex (guitarra) onde ele compõem grande parte das bases das músicas, muitas ideias antigas dele estavam sendo revisitadas e de repente ele passou por um riff que chamou muito a atenção do Régis. Neste momento o refrão de PREDATORY foi criado e assim ficou até a gravação. A partir disso, o resto da música foi composta a e finalizada. Ficamos tāo satisfeitos com esta faixa que decidimos batizar o álbum com o mesmo título.

RF: Quais as temáticas mais abordadas nas letras do “Predatory”?

João: Em linhas gerais, há uma conhecida passagem atribuída a Thomas Hobbes que afirma: “O homem é o lobo do homem”. Creio que essa seja a premissa essencial que atua como fio condutor de toda a temática, tanto lírica, quanto musical que permeia esse novo trabalho. Muito mais que um álbum conceitual, Predatory é um retrato do lado obscuro da saga existencial humana. O obstáculo evolutivo da humanidade é o próprio semelhante. O homem pavimentou com sangue e destruição o caminho da evolução. Inúmeros são os exemplos, ao longo da história. Por outro lado, o álbum também reflete a dicotomia de nossos tempos, onde a bipolaridade revela-se evidente. Impossível deixar de evocar a máxima de Júlio Cesar: “Divide et Vinces” (Dividir para conquistar)

RF: Como está sendo o feedback e as críticas do novo álbum?

João: A receptividade tem sido a melhor possível, tanto aquela vinda da mídia especializada quanto por parte dos fãs. Temos recebido resenhas impressionantes que nos surpreenderam sobremaneira. No entanto, nada substitui a resposta dos fãs e, nesse aspecto, há casos memoráveis, que realmente nos fazem compreender a importância desse trabalho.

RF: Por conta da pandemia, vocês tiveram algum impedimento ou dificuldade para o lançamento e gravação do álbum?

João: A pandemia trouxe consigo inúmeras intempéries. É triste ver uma cena, seja ela cultural ou social paralisada por motivos alheios à vontade daqueles que dela participam ou dela retiram seu sustento. Há uma cadeia totalmente interligada que foi duramente prejudicada. Felizmente, no entanto, é na necessidade que o gênio criativo humano se manifesta de forma mais criativa. Aos poucos temos visto soluções alternativas aqui e ali. No caso específico da Scars, tivemos a felicidade de gravar o disco no início do ano, antes de toda essa confusão. Pertinente ao lançamento, tudo ocorreu conforme havia sido planejado com a antecedência devida. Estamos agora trabalhando para mostrar as músicas novas ao vivo, através das Lives e festivais On Line.

RF: O que mais motivou vocês a se reunirem novamente, após o hiato por 10 anos?

João: Normalmente, aqueles que se envolvem com formas de expressão artística, nunca mais conseguem se afastar. A arte, ou mais especificamente a música, que é o caso pertinente aqui tende a possuir a alma daquele se se aventura em seus múltiplos caminhos. Outro fator extremamente relevante para essa resposta alude ao fato inconteste de que o Heavy Metal é muito mais que um gênero musical. É verdadeiramente um estilo de vida, com seus próprios códigos ético-sociais. Todos nós na banda vivenciamos esses dois aspectos pela maior parte de nossas vidas, de forma que é inconcebível aceitar parar. Quando lançamos em 2008 o Cd DevilGod Alliance, o objetivo primordial naquele momento era registrar o material para que, de alguma forma, ele não se perdesse e, assim foi feito! Passados 10 anos, a maior motivação veio, sobretudo, da manifestação crescente dos fãs, mostrando a relevância dos trabalhos anteriores e a necessidade premente de algo novo. Esse foi o terceiro e principal fator nessa equação.

RF: Com o lançamento do novo álbum, vocês também lançaram o clipe da faixa “Sad Darkness Of The Soul”. Como foi o processo de gravação do videoclipe?

João: “Sad Darkness of The Soul” é uma das músicas mais emblemáticas deste novo trabalho, tanto do ponto de vista lírico, quanto musical. No primeiro caso, porque tem a franca coragem de abordar um tema que é um verdadeiro tabu em nossa sociedade. Em segundo lugar porque traz uma linha melódica diferenciada, com predomínio da parte rítmica e a forte presença das linhas de baixo. Coisa um tanto incomum no Thrash Metal. O primeiro single que lançamos foi Predatory, pouco antes do álbum. Infelizmente, a gravação do clipe, foi a última coisa que conseguimos fazer antes de ser decretada a quarentena. A partir daquele momento, todas as atitudes deveriam levar em conta o afastamento social. Como disse anteriormente, a necessidade estimula a criatividade.  Quando pensamos sobre qual seria o próximo single, Sad Darkness foi escolha óbvia. A questão passou a ser: Como transportar a mensagem que a música carrega em um vídeo, sendo que não podemos nos encontrar? A solução veio de imagens minhas filmadas durante a gravação da bateria que não tinham, a princípio, uma finalidade específica, mas que na mão de pessoas criativas como o Alex Zeraib (guitarra) e o Regis (vocal) foi o estopim necessário. Desde então, cada um gravou suas imagens e assim surgiu o vídeo. Importante também destacar as mensagens em vários idiomas inseridas. A ideia foi mostrar que o suicídio é um problema sério que acomete pessoas no mundo todo. É o homem como seu auto predador, que não raras vezes é também vítima de outros predadores sociais. Nossa ideia foi trazer esperança, de alguma forma.

RF: Qual o sentimento da banda ao levar o Thrash Metal paulista por todo o país, e ter dividido palco com grandes nomes, como o Korzus, Krisiun, Claustrofobia, entre outros?

João: Somos privilegiados! É com muito orgulho que labutamos no underground do Heavy Metal brasileiro, tão profícuo e, dotado de uma originalidade impar. Não há como negar a satisfação após tantos anos de trabalho duro. Ainda há muito mais pela frente.

RF: Como avaliam a evolução da SCARS com a formação atual da banda?

João: Se fosse preciso me expressar em uma única palavra, ela seria coesão. A formação atual é, em si, sui generis e, de certa forma relata a história da banda. Temos o Régis (vocal) e o Alex (guitarra) que participaram na época do Ultimate Encore (1994) e da fase Nether Hell (2005). Eu entrei na banda em 2007 para gravar o DevilGod Aliance (2008). O Marcelo Mitché entrou para o time em 2018, quando retornamos, mas, é um antigo fã e membro de longa data da família Scars, dede a década de 90. Finalmente, o Thiago Oliveira que é bem conhecido no meio e um excelente músico trouxe ótimas ideias para essas novas composições, especialmente nos solos. Basicamente, são três gerações trabalhando em conjunto. Isso cria um perfeito equilíbrio entre o antigo e o novo, mantendo o respeito e fidelidade ao passado, mas, ao mesmo tempo, olhando para o futuro.

RF: Para finalizar, gostaria que comentassem as duas faixas bônus do novo álbum, “Armageddon” e “Silent Force”.

João: Armageddon e Silent Force, sob o ponto de vista lírico, encerram a trilogia, originalmente inspirada na obra de Dante Alighieri: A Divina Comédia e iniciada no álbum The Nether Hell. Sua continuação se deu no álbum DevilGod Alliance que explora a dualidade entre o bem e o mal através da literatura, ricamente influenciada por nomes como Edgar Allan Poe e Goethe. Sob a ótica musical, foram as duas primeiras composições que efetivamente marcaram o retorno da banda, após dez anos de hiato. Não queríamos apenas retornar, queríamos mostrar que ainda havia muito a mostrar e, nesse caso, nada melhor que encerrar um ciclo para dar início a outro. Essas músicas, que agora figuram como bônus no álbum Predatory, foram o passo evolutivo necessário, para que pudéssemos chegar até aqui.

Capa

Ouça Predatory no Spotify: https://open.spotify.com/artist/4FCGqzVWLxkupz86e6bhgJ

Ouça Predatory no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCVxq9GLRKzsP5CnZ8GcEisw

Ouça Predatory no Bandcamp: https://scars4.bandcamp.com

Siga a SCARS no Instagram: www.instagram.com/scars.thrash

Siga a SCARS no Facebook: www.facebook.com/scars.thrash

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Postado em 06/10/2020 às 11:46 am | 127 views



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